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Dr. Paulo Fontani Coordenador de Educação da UNESCO
Izabel Ribeiro Idealizadora e Coordenadora do Projeto Projeto Valores Humanos
 
"não é qualquer escola que vai conseguir a mudança para melhor da sociedade, tem que ser uma escola que trabalha valores humanos e que tenha a participação da comunidade"
Dr. Paulo Fontani
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Dizendo "Não" versus a oferta de uma alternativa positiva:
redirecionando problemas de comportamentos
Connirae Andreas

Quando uma criança faz algo irritante ou destrutivo, é fácil os pais ficarem com a idéia de que seus filhos estão intencionalmente tentando ser mesquinhos, e querem portar-se mal. Mesmo que isso fosse verdade, não seria uma maneira muito correta de pensar sobre os nossos filhos.
Em vez disso, podemos pensar que as crianças estão interessadas em testar outros comportamentos possíveis. Este é o trabalho delas. Se elas vão crescer para se tornarem adultos competentes, bem-sucedidos, elas precisam testar muitos comportamentos para descobrir como esses comportamentos funcionam. "O que acontece quando eu faço isso? Que resposta eu obtenho dos meus pais? E dos outros que estão na minha volta? E do ambiente?" Ao fazerem muitas coisas, algumas que nós gostamos, e outras que não gostamos de jeito nenhum, as crianças descobrem o que funciona e o que não funciona. Em vez de tentar impedir a criança de fazer coisas que nós não gostamos, ou que são perigosas para ela, é nossa função como pais ajudar a canalizar e direcionar o comportamento da criança, mostrando a ela onde cada comportamento funciona.

Exemplo: Darian aos 18 meses acabou de descobrir as maravilhas das marteladas, e pensa que o mundo todo pode ser dividido entre "martelos" e "marteladores". Ele pegou um clarinete de brinquedo, veio caminhando até chegar ao meu lado e deu uma martelada na minha perna, com um olhar muito alegre.
"Darian, não bata na mamãe com o clarinete. Em vez disso você pode bater nessa almofada com o clarinete." Eu mostrei a ele como ele poderia bater na almofada com o clarinete de brinquedo.
Isso transmite para a criança a mensagem de que ela é boa, e que mesmo seu comportamento é bom. Tudo é uma questão de que contexto é apropriado para usar o comportamento – quando, onde, com quem e o que. Não é certo martelar as pessoas, mas pode-se martelar as almofadas ou a madeira.
Sem essa atitude ou processo, muitas vezes as crianças ficam com a idéia de que elas estão erradas ou são más. Se é dito para uma criança que martelar é mau e ela é punida por isso, ela pode parar de martelar completamente. Mais tarde, ela poderá ficar confusa quando for encorajada a martelar pregos.
Quando os pais agem como se as crianças devessem saber mais antes do tempo, as crianças inconscientemente começam a esperar a mesma coisa deles, sentindo que eles estão errados por não saberem mais. Elas podem até mesmo começar a pensar que qualquer comportamento novo pode ser punido, e se tornam tímidas e medrosas com situações novas. Ao deixar claro para a criança que qualquer comportamento é adequado em algumas situações e não em outras, nós podemos preservar a curiosidade natural de nossos filhos, ao mesmo tempo que encorajamos seus comportamentos nos lugares apropriados.

Exemplo: Darian com três anos de idade estava se balançando numa cadeira da cozinha, atirando as pernas para cima e para baixo. Do outro lado da mesa, Mark com 8 anos, estava desenhando a figura de um pavão.
"Não balança a mesa, Darian," Mark pediu, "eu estou fazendo um desenho".
Darian continuou balançando as pernas, ignorando o pedido do Mark. Ele obviamente estava se divertindo, e não pretendia parar.
"Darian, Mark não consegue desenhar se você faz isso com a mesa". Eu repeti. "Você não gostaria de achar um outro lugar para se balançar? Aquela cadeira lá ia ser perfeita. Se você quiser, pode se balançar naquela cadeira. Ou eu posso pegar a cadeira da cozinha e levar até lá para você brincar nela."
Darian decidiu pela cadeira da cozinha, e começou a movê-la.
"Ah, será que você consegue mover sozinho a cadeira?" perguntei.
"Sim, eu consigo!" A atenção do Darian tinha sido redirecionada para demonstrar o seu orgulho com a força dele. E continuou seu "balanço" longe da mesa.

Exemplo: Dana, 7 anos, estava sentada na sala de aula cantando sozinha durante o período de desenho. Ela gostava de desenhar, e estava absorvida com o seu desenho e o canto. Entretanto, o barulho estava distraindo as outras crianças. O professor, o sr. Shelton, queria evitar que todas as 25 crianças da classe cantassem diferentes músicas, apesar disso ser positivo em relação a Dana.
Ele andou até a mesa da Dana e se abaixou até a altura do ouvido dela. "É uma bonita canção, Dana," falou bem baixo. "Agora é uma hora silenciosa para todos que estão desenhando. Se você quiser, você pode cantar lá dentro de você enquanto desenha. Você sabe fazer isso, não é?" Dana olhou um pouco confusa e o professor continuou. "Algumas vezes quando eu desenho, eu posso ouvir uma música dentro da minha cabeça. Só eu posso ouvi-la, mais ninguém, porque eu não estou cantando em voz alta. Eu gosto de fazer isto algumas vezes, porque acho que fica mais fácil desenhar. Não quer tentar e descobrir se gosta?"
Dana balançou a cabeça e sorriu. Ela continuou com o desenho, em silêncio. Depois de alguns minutos, ela esqueceu sobre a canção "lá dentro" e já estava cantando em voz alta. O sr. Shelton fez um suave lembrete para recordá-la:
"Lembra daquela canção interna, Dana?" perguntou sorrindo.
"Ah, é. Eu esqueci."
"E você pode cantar em voz alta durante o intervalo, ou com todos durante a classe de música." Alguns minutos depois, quando circulava pela sala, ele parou na mesa da Dana. Tocando-a suavemente no ombro, ele sussurrou no ouvido dela: "Obrigado por cantar para dentro."

Alternativas que não funcionariam
Dana está cantando enquanto desenha. O sr. Shelton se sente incomodado porque uma das crianças está causando problemas de novo. Esse foi um longo dia. "Dana está sempre causando problemas," ele pensa exasperado. "Agora ela provavelmente vai distrair toda a classe."
Em voz alta, o sr. Shelton fala asperamente: "Dana, não cante."
O rosto da Dana murchou. Ela se sente envergonhada como se tivesse feito algo errado. Ela agora não sente mais vontade de cantar e por isso não causa mais problemas durante as aulas de desenho. Entretanto, os desenhos da Dana se tornaram de algum modo, um pouco menos vívidos, mais sombrios.

Exemplos com crianças muito pequenas
Crianças pequenas estão prontas para testar muitos comportamentos novos, mas não sabem nada sobre onde e quando ter esse comportamento.
Mark, como qualquer criança pequena, mostra uma grande persistência em vários contextos. Quando ele queria algo, muitas vezes era muito persistente para conseguir. Algumas crianças, por exemplo, reagem imediatamente quando você diz "Não" e param o comportamento problema sem qualquer outra direção ou "conseqüência". Mark não.
Como um dos genitores, eu poderia me sentir incomodado porque meu filho era "mais difícil" do que outros. Ou, poderia perceber que ele tinha a qualidade da persistência, e pensar como esta qualidade poderia ser útil no futuro dele. Persistência certamente será um importante ingrediente para ele ser bem-sucedido em tudo que tentar realizar mais tarde. Já na pré-escola, seu professor comentou como ele levava mais tempo realizando seus projetos de arte ou de interpretação. Em vez de olhar como isso poderia me limitar ou a ele, eu posso olhar para onde essa qualidade pode ser útil. Ambas são verdadeiras. Ao olhar para como ela é útil, eu posso ajudar o Mark canalizar essa característica numa direção adequada.
Começando na idade de 1 ano, ou ainda mais cedo, a mudança de contexto tem sido uma condição importante para conseguir que os nossos filhos ajam de uma maneira satisfatória e segura para eles e aceitável para nós.

Exemplo: Mark, 2 anos, pegou uma colher grande de metal na cozinha, usada para servir comida, caminhou até a janela e começou a bater com ela no vidro. Se eu dissesse para ele: "Não, você não pode fazer isto", eu entraria numa batalha. Parar um comportamento é difícil, talvez impossível. Em vez disso, eu o levei até a cozinha para pegar uma colher de madeira, depois de volta para a sala e mostrei como ele podia bater com ela nas almofadas e no sofá. Mark adora bater. É tão divertido bater nas almofadas como nas janelas – talvez até mais divertido, porque você também pode se jogar nas almofadas. (Eu fiz questão de chamar a atenção dele para essa vantagem.)
Cada um dos nossos filhos passou por fases em que queriam morder tudo. (Crianças pequenas fazem isso quando os dentes estão nascendo ou apenas explorando o que podem fazer com a boca.) De novo, esse comportamento pode ser desviado. Quando eles tentavam nos morder, nós oferecíamos uma almofada ou um brinquedo macio de borracha. "Aqui Loren, isso é para morder."
Se a criança continua mordendo-o, você pode precisar fazer algo além de dar algo para a criança morder. Com uma criança de 1 ano que está nascendo os dentes, você pode dar uma rápida batida na cabeça para interromper e parar a mordida. Se você decidir usar essa abordagem, tenha o cuidado de dar a batida quando ela estiver mordendo porque isso interrompe a mordida e ela conecta a batida com a mordida. Dizendo "Ochh" e dar um pequeno empurrão também funciona para o mesmo propósito. Se uma criança mais velha morde e redirecionar não funciona, você pode considerar um intervalo, descobrir o propósito positivo ou outro método discutido em meus outros artigos: "Auto conceito positivo: começando a preparar seu filho para o sucesso " e "Conseqüências positivas – cooperação recompensadora".
Algumas pessoas preferem nunca bater numa criança sob qualquer condição, e eu certamente respeito essa decisão. Minha abordagem é usar o mínimo possível. Com uma criança muito pequena, um leve tapa pode fornecer uma interrupção cinestésica (sensação) para o comportamento. Eu posso até mesmo usar uma pequena mordida para que a criança saiba a sensação que ela está criando na outra pessoa. Eu uso isso o mínimo possível, e presto atenção na reação da criança para me guiar na decisão de usar ou não essa abordagem. Eu não quero que a criança se sinta punida, só quero parar a mordida, e que ela saiba como é estar na outra ponta da mordida.

Recontextualizando o comportamento com crianças mais velhas
Eu acho que criar os filhos é ficar vigiando constantemente para encorajar comportamentos positivos e usar isso como base para alcançar êxito no futuro. Não importa o que uma criança está fazendo, aí existe algo positivo e útil.
Um modo de pensar sobre isso é que cada comportamento é útil em algum contexto. Quando o seu filho faz algo que você não gosta, ou pensa que é um comportamento "mau", pergunte-se: "Em que contexto esse comportamento seria proveitoso?"
"Eu fiquei muito contente ao saber que você imita muito bem. Você será capaz de imitar as pessoas que fazem bem muitas coisas e até mesmo aprender a fazê-las. Você sabia que os ótimos esquiadores fazem isto? Eles observam os outros que são bons e simulam que eles é que são os bons. Você pode usar isto quando quiser aprender a nadar ou a esquiar." Você pode ir além: "E agora, quem mais você quer imitar?"
Mesmo que você não diga isso em voz alta para o seu filho, apenas pensar nisso já torna mais tolerável os comportamentos detestáveis que o seu filho inevitavelmente vai trazer para casa. E também ao reagir com calma, esses comportamentos não vão durar muito tempo.

Resumo: redirecione o comportamento

  1. Pense em algum comportamento irritante ou problemático do seu filho.

Jennica imita uma menina arrogante da sua classe.

  1. Pergunte-se: "Em que contexto esse comportamento seria útil?"

Quando, onde e em que circunstâncias você ficaria muito contente, ou pelo menos desejoso que seu filho tivesse esse comportamento. Cada comportamento é útil em algum lugar.
Eu gostaria que a Jennica usasse sua habilidade para imitar indivíduos criativos ou talentosos.

  1. Planeje como dizer para seu filho quando e onde esse comportamento pode ser útil, encorajando-o a fazer isso nesse contexto.

"Jennica. Você sabe que você imita muito bem as outras pessoas. Esta realmente parecia a Érica. Você sabia que é muito importante saber como imitar os outros?"
(Não)
"Sim, é assim que muitas pessoas talentosas se tornaram tão talentosas. Bons músicos normalmente começam imitando o som de alguém que eles admiram. (Jennica é interessada em música.) E mesmo os bebês aprendem a falar imitando as pessoas.
É assim que você aprendeu a falar."

Connirae Andreas, com seu marido Steve, está ensinando e desenvolvendo a PNL desde 1977. Esse artigo foi extraído do CD do seminário "Successful Parenting", onde você encontra mais dessas maneiras simples e fáceis de tornar a criação dos filhos mais divertida e gratificante, tanto para você como para seus filhos – de todas as idades!

 

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